Ter vício em sexo pode trazer transtornos para a nossa vida

Você já ouviu falar de vício em sexo? É difícil mesmo de se imaginar que fazer muito sexo possa significar um problema.

No entanto, o “problema” não está exatamente na quantidade de vezes que você transa, mas sim na possível compulsão por sexo.

Esta compulsão traz sérios problemas físicos, psicológicos, de relacionamento e muitos outros transtornos, tanto para a pessoa que é compulsiva como para as que convivem com ela.

E as reações, os chamados “sintomas” deste vício por sexo, são os mais variados possíveis e a maior complicação disto tudo é identificar que há um problema e admitir que está mesmo viciado e que precisa se tratar.

Identificando os sintomas da compulsão sexual

Vício em sexo é um problema, mas não se conceitua como uma doença e sim um mal comportamental, um transtorno psicológico, entre outros possíveis enquadramentos.

A questão está em identificar este transtorno em você mesmo ou na parceira e, uma vez identificado, procurar tratamento.

Antes de qualquer coisa, é preciso identificar um comportamento sexual normal.

Sem esta base, você não vai conseguir dizer que é viciado em sexo e muito menos apontar este problema em sua parceira.

Reconhecendo um comportamento sexual normal:

Pensar muito em sexo, querer transar quase que todo dia, etc., não se caracteriza um vício por sexo.

Fantasias sexuais, masturbações todos os dias, querer transar com sua parceira várias vezes na semana não significa também, necessariamente, uma compulsão sexual.

Isto na verdade é desejo, é uma reação química do nosso corpo o que é absolutamente normal.

Quando o desejo sexual normal se torna um vício em sexo:

A partir do momento que afeta a vida pessoal do indivíduo.

Quando a vontade por sexo ultrapassa os limites da normalidade, pode indicar uma compulsão sexual.

  • Tornar eróticos assuntos corriqueiros do dia-a-dia;
  • Não conseguir trabalhar direito porque quer transar;
  • Masturbar-se constantemente no mesmo dia durante o trabalho, escola, etc.;
  • Repelir a parceira, não querer fazer sexo com ela (acredite, também indica um possível vicio por sexo);
  • Sair para transar e mentir para a parceira;
  • Não conseguir demonstrar afeto para com a sua parceira, pois você quer é transar.

Existe mesmo uma linha muito fina, muito tênue entre a vontade de fazer muito sexo, por erotismo, por desejo, etc., e o vício por sexo, a compulsão.

Esta linha se define principalmente no quanto isto afeta a sua vida pessoal como um todo.

Características específicas de quem tem vício em sexo

O viciado em sexo ultrapassa limites e não conseguindo a frequência que necessita com a parceira, deixa-a de lado e procura sexo fora do relacionamento.

Nada que envolva sentimento, é carnal mesmo, é necessidade física e psicológica.

Um vício por sexo se caracterizada principalmente por ter muitas fantasias e comportamentos sexuais atípicos.

Por exemplo, uma masturbação excessiva, visitar conteúdos pornográficos em excesso, múltiplos parceiros sexuais ou mesmo a busca por sexo ocasional, nervosismo constante, etc.

Isto pode afetar a sua concentração, trazer consequências para as suas próprias aspirações pessoais, tornar o convívio com sua parceira insustentável, afeta suas atividades profissionais e de relacionamento, entre outros.

A grande verdade é que as pessoas viciadas em sexo podem levar anos até buscar ajuda. Uma matéria no Minha Vida fala mais a respeito.

Como realizar um diagnóstico mais preciso do vício em sexo

O comportamento de um viciado por sexo torna-se, ao longo do tempo, cada vez mais perceptível.

Vai chegar um momento em que você vai perceber que tem alguma coisa errada, mas não vai conseguir ainda atribuir isto à sua vontade compulsiva por sexo.

Mas existem alguns aspectos, alguns comportamentos que podem lhe indicar que os problemas provem mesmo do seu vício, sua vontade incessante por sexo.

Se você apresentar três dos comportamentos abaixo, ou mais, na sequência ou aleatórios, há sim fortes indícios de você ser um viciado por sexo:

  • Você reserva bem mais tempo ao sexo do que antes (transar, masturbar-se, etc.);
  • Uma abstinência inusitada de sexo por sua parceira. Você prefere procurar sexo ocasional, etc.;
  • Você se sente mal, perde a concentração nos afazeres comuns, no trabalho, estudo, fica nervoso do nada, ansioso e impaciente, sempre que tenta esquivar-se do sexo, diminuindo-o ou mesmo evitando-o;
  • Você substitui um trabalho, uma relação afetiva com a família, filhos, etc., porque precisa fazer sexo (masturbando-se ou procurando transar com outras mulheres);
  • Você tenta evitar, tenta pensar em outra coisa e fracassa todas as vezes;
  • Você aumenta a frequência, a intensidade e até a variedade do sexo, mas consegue se satisfazer cada vez menos.

Claro que a análise destes comportamentos, para se ter um diagnóstico o mais exato possível, requer um certo tempo.

Ou seja, se dois, três destes comportamentos acima ocorrerem com frequência em um período de um ano a dois, levante imediatamente um sinal de alerta: você pode ser um viciado em sexo.

E se o problema, aparentemente, está com sua parceira, as análises também serão as mesmas.

Difícil mesmo será você tentar convencê-la de que tem este problema.

O psiquiatra Alexandre Saadeh explica, em uma reportagem no globo.com, como é feito o diagnóstico e o tratamento de quem tem compulsão sexual.

Vale a pena dar uma conferida nesta matéria.

Como surge o problema do vício em sexo?

vício em sexo

Esta é outra grande dúvida da maioria das pessoas que já se identificaram com o problema: como surge este vício? Cai do céu pura e simplesmente?

Não, claro que não. Existem alguns indícios que podem fazer com que o problema surja.

Se estes indícios e ocorrências não são causadores do vício, são pelo menos influenciadores:

  • Histórico familiar de compulsão sexual,;
  • Dependência química, alcóolica, etc.

Estes dois fatores, em separado ou mesmo todos juntos, são fortes influenciadores para um vício por sexo. Não há, no entanto, nenhuma comprovação genética quando a isto.

Estamos falando apenas de participar destas ocorrências ou saber delas, por parte do histórico da família.

  • Traumas sexuais, da pessoa ou na família: estes traumas, problemas familiares, etc., também favorecem uma compulsão sexual. É uma resposta psicológica ou mesmo física ao trauma existente e não tratado.

Só que você não faz esta associação facilmente e passa a considerar sua vontade inesgotável por sexo como uma coisa normal.

  • Pedofilia: também pode ser um fator influenciador. Neste caso há um impulso psicológico traumático que causa, como consequência, um vício por sexo inesgotável.

E aqui vale tanto o trauma pessoal, ou seja, a própria pessoa compulsiva por sexo sofreu o abuso sexual por adultos na infância, ou o trauma de ter visto alguém sofrer o abuso.

Todos estes fatores, juntos ou isolados, causam transtornos psicológicos sérios e o vício por sexo é apenas uma sequela desta ou daquela ocorrência.

São alterações neurotransmissoras cerebrais oriundas de um problema ocorrido no passado, com a própria pessoa ou com outrem.

Geralmente esta sequela aparece logo na adolescência, quando há o afloramento sexual do indivíduo, ou mais adiante, já na fase adulta.

É possível até que você já tivesse o problema na adolescência.

No entanto, só veio a se transformar em um “problema” mesmo na fase adulta, quando começaram a surgir as ocorrências com sua parceira, família, trabalho, etc.

Um dos problemas relacionados ao vicio por sexo é o excesso de ansiedade, que pode, inclusive, afetar sua relação sexual com sua parceira.

Saiba mais sobre o assunto em uma matéria chamada “O Que fazer Para Diminuir A Ansiedade Masculina Antes Do Sexoejaculandocomcontrole.com.

A evolução do vício em sexo: os quadros mais graves

O primeiro momento evolutivo do vício por sexo é quando este “sexo” para de ser prazeroso, vira algo cotidiano, apenas necessário, mas sem aquele prazer causado antes do sexo, com a libido, etc.

Você continua gostando e fazendo sexo, mas quase que instintivamente.

Podemos fazer uma rápida analogia com o prazer em dirigir um carro, que muitos homens possuem.

Se você dirige a trabalho, no dia a dia, no trânsito, aquilo vai ser instintivo, automático até.

Também é dirigir, mas sem prazer algum. Agora, se pega uma estrada, vazia, pode sentir o ronco do motor, etc., isto, apesar de também ser dirigir, é prazeroso, é bom.

Passa a ser “fazer sexo por fazer”, por cumprir uma necessidade fisiológica (implicitamente psicológica também).

Já neste momento, este vício começa a afetar a sua vida pessoal.

O que é diferente, caso a caso, é o quanto vai afetar sua vida, qual grau evolutivo você está.

De uma forma generalizada, do início do vício, identificação do problema e a procura por uma solução, o indivíduo leva em média de 7 a 8 anos.

Em casos já graves, o vício por sexo pode levar a pessoa à:

  • Distanciamento familiar ou dos próprios entes queridos;
  • Desempenho profissional reduzido;
  • Aumento gradativo e até incontrolável por conteúdos pornográficos de qualquer tipo;
  • Consequente prejuízo financeiro;
  • Surgimento de quadros depressivos.

Saiba, inclusive, que o consumo exagerado de conteúdos pornográficos pode prejudicar sua vida de um modo geral.

Veja mais sobre este assunto em específico em uma matéria no site homemdesaude.com.

Os erros mais comuns quando se é viciado em sexo

Há um pequeno período, que podemos chamar de “incubação”, onde você percebe finalmente que tem alguma coisa errada, que você não está normal, afinal, as coisas estão dando ruim, tanto no trabalho, como no amor, família, etc.

Mesmo percebendo isso, não consegue admitir o problema e muito menos que precisará de ajuda profissional, talvez.

Neste ponto de incubação, é provável que você cometa alguns erros graves, como:

  • Esquivar-se de pensar no problema;
  • Fuga, isolamento;
  • Irritabilidade desnecessária e geralmente com quem você mais ama e interage;
  • Recusar ajuda. Recusar inclusive falar sobre o assunto com alguém;
  • Abstenção total de sexo, como forma de “provar a si mesmo” que não é viciado.

Se você está neste estágio, pare com tudo. Reflita bem o que está acontecendo e não tenha receios de admitir que você precisa de ajuda.

O vício por sexo, como a maioria dos vícios, é prejudicial à sua vida.

Não permita que o sexo se torne um monstro para você, pois quanto mais tempo você demorar para reconhecer e procurar ajuda, mais distante ficará de relações sexuais prazerosas, como as que você tinha antes dos problemas pessoas começarem a surgir.

Saiba mais detalhes sobre o que faz de alguém um viciado em sexo e qual é o tratamento para o problema em uma matéria que fala sobre este assunto no nexojornal.com. Confira!

Os tratamentos possíveis e recomendados para quem tem vício em sexo

Que bom, você já identificou o problema e sabe que precisa de ajuda. Esta é a etapa do tratamento.

No entanto, chegar neste ponto não é fácil pra ninguém.

Na maioria dos casos, infelizmente, é preciso chegar à um grau de problemas causados pelo vício em sexo elevadíssimo e insustentável para que a pessoa afetada tome uma providência a respeito.

E é fácil de se imaginar o porquê disto: ninguém vai achar que está viciado em sexo, muito difícil de acontecer e até mesmo de identificar.

Mas por tudo que já foi dito até aqui, é passível de você perceber que se trata de um problema sério, uma questão que requer atenção, análise.

Quanto ao tratamento, de um modo geral, é todo baseado em um acompanhamento em psicoterapia, psicologia e, muito provavelmente, poderá haver a administração de certos medicamentos psicoterápicos.

Tudo vai depender do grau do problema. São comuns os antidepressivos, pois o quadro depressivo surge naturalmente quando se tem vício em sexo.

Estes antidepressivos conseguem auxiliar na retomada do controle, ou seja, você volta aos poucos a ser dono de si mesmo novamente.

Com o controle, os impulsos sexuais irão diminuir e você vai retomar sua vida.

No entanto, não pode passar o resto da vida tomando antidepressivos.

Eles são úteis e necessários para o paciente a médio e longo prazos, mas você terá que lidar com a questão da compulsão sexual com a ajuda da psicologia.

Assim, o tratamento inicia-se com a ajuda da psiquiatria e com antidepressivos, mas ter o acompanhamento de um psicólogo, em paralelo inclusive com o psiquiatra, é de fundamental importância para se ver livre de vez do problema.

Dicas importantes para quem é viciado em sexo

Confira algumas dicas importantes que podem e irão lhe ajudar a identificar e tratar o problema do seu vício em sexo:

  • Nem todos os profissionais da psicologia reconhecem o problema da compulsão sexual. Se o profissional escolhido não o reconhecer, procure outro;
  • Evite a solidão. Apesar desta sua compulsão, não é aconselhável se autoflagelar sexualmente. O convívio com outras pessoas, principalmente as de confiança, é fundamental para você sair desta;
  • Quando desconfiar do problema, não desvie o foco. Faça uma autoanálise coerente e fria. Se for com a parceira, trate o assunto com ela sem causar, sem sustos, pois vai distanciá-la de você e do necessário tratamento;
  • Ao reconhecer o problema e iniciar o tratamento, lide com esta situação com seriedade.
  • Siga corretamente o tratamento psiquiátrico e psicológico. Não se dê “alta” por conta própria, acreditando que já está tudo bem.

No vídeo abaixo, de atitudes suspeitas de quem é viciado em sexo e dá outras dicas importantes do que pode ser feito.

Dá uma conferida:

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Davi Ribeiro

Davi Ribeiro começou a trilhar um longo caminho de autoconhecimento, buscando informações no Brasil e também no exterior, para entender melhor o seu problema. Com o passar do tempo, ele acabou adquirindo muito conhecimento e, assim, se tornou um especialista na área de sexualidade masculina.

Website: https://www.ejaculandocomcontrole.com/cursos-recomendados/