Existe Gastrite Nervosa? Você sabe como Lidar com este Problema?

A gastrite nervosa é um problema gastrointestinal causada pelo excesso de ácido clorídrico no estômago. Algumas pessoas associam o surgimento do problema e, principalmente, aos seus sintomas como de origem nervosa.

De certo modo, problemas psicológicos, estresse, nervosismo em excesso, etc., podem influenciar negativamente o seu organismo como um todo, provocando, por exemplo, uma má digestão, dor de cabeça, etc.

No entanto, não há uma ligação exata entre estas ocorrências, e muito menos com relação à gastrite. Portanto, a afirmativa de que existe uma gastrite nervosa é errada. Neste artigo, você vai ficar sabendo mais sobre o problema, possíveis causas, tratamentos, sintomas e muito mais.

O que é exatamente a Gastrite?

Antes de se falar qualquer coisa relacionada à gastrite, é importante que você saiba bem o que é “gastrite”. A maioria das pessoas conhecem bem os sintomas, mas não conhecem  as manifestações da doença.

Gastrite é na verdade uma inflamação das paredes do estômago, tem 3 tipos e causas diferenciadas. Esta inflamação é da mucosa que reveste as paredes internas do nosso estômago e existe um exame específico para diagnosticá-la com segurança: a endoscopia.

Em alguns casos, no entanto, este exame nem é realizado, principalmente quando os sintomas são menos intensos e/ou menos frequentes.

Quais os tipos de gastrite

Basicamente, são de três tipos:

  • Gastrite Aguda: aparecem do nada, geralmente motivadas pelo uso de medicamentos muito fortes, infecções e até o estresse físico ou mental, mas manifestam-se por um período curto. Daí é que surgiu o termo “gastrite nervosa”. Falaremos sobre isto mais adiante.
  • Gastrite Crônica: causada pela bactéria Helicobacter pylori, que é um quadro de gastrite mais prolongada. Nosso estômago recebe muitas bactérias todos os dias, mas mata todas elas. A única que sobrevive a este ambiente super ácido é a H. pylori.

Como agente destruidor, a H. pylori pode levar à destruição da barreira protetora que reveste a mucosa do nosso estomago. Com isto, o chamado suco gástrico passa a agredir a mucosa, inflamando-a e ocasionando a gastrite crônica.

  • Gastrite crônica atrófica: é um tipo de gastrite bem específica. Existem ocorrências onde os nossos anticorpos acabam por atacar o revestimento do nosso estômago. Isto provoca danos no mesmo e a consequente diminuição ou até mesmo a extinção das enzimas gástricas.

O médico José Penteado relata, no site Rádios EBC, maiores detalhes dos tipos de gastrite e fala inclusive sobre causas, sintomas e tratamentos. Vale conferir.

As causas e os principais sintomas da gastrite

É comum também as pessoas afirmarem que conhecem as causas e os sintomas da gastrite. As principais causas até são conhecidas, mas há erros de interpretação, como atribuir o motivo de uma gastrite o fato de um estresse mais intenso.

A relação, se é que ela existe, está associada a fatores psicológicos que, em certo grau, podem causar problemas gástricos e gerar uma gastrite aguda. Os sintomas também são comumente conhecidos, mas alguns deles nem tanto.

A chamada gastrite nervosa já foi considerada por muito tempo e por muitos médicos, mas hoje não é mais admitida. A doença possui uma infinidade de possíveis causas, como:

  • Abuso do álcool.
  • Ingestão de medicamentos (como anti-inflamatórios e corticoides) por período prolongado.
  • Estresse e nervosismo (fatores psicológicos que estimulam o surgimento da dispepsia funcional, podendo gerar uma gastrite aguda).
  • Presença e atuação da bactéria Helicobacter pylori.
  • Fumo.
  • Café e outras bebidas que podem estimular os sintomas da gastrite (não são causadores, apenas estimulantes dos sintomas) e, assim, aumentar o tempo de permanência da gastrite aguda.

Sintomas

Existem ainda alguns mitos relacionados à gastrite, que trataremos logo adiante. Quanto aos sintomas, eles são mesmo muito intensos e variados. Esta variação depende de organismo para organismo, bem como da causa da gastrite. Confira:

  • Dores de estômago e/ou intenso desconforto abdominal. No caso da gastrite aguda, estes sintomas podem surgir logo após uma refeição ou mesmo quando se fica muito tempo sem comer.
  • Abdômen muito inchado, principalmente depois das refeições (não se trata de azia).
  • Náusea e até vômitos em casos extremos.
  • Indigestão.
  • Mal estar e desconforto, calafrios.
  • Queimação intensa no estômago.
  • ​Surgimento de Gases.

Nota 1: o uso frequente e em altas doses de Cimetidia, que é um remédio muito comum no tratamento de gastrite, principalmente a crônica, pode provocar perda de libido e até impotência sexual. Saiba mais em homemdesaude.com.

Nota 2: azia não é gastrite. A gastrite é um refluxo gastroesofágico, que é quando o conteúdo gástrico retorna do estômago para o esôfago, podendo ou não causar alguma inflamação.

Já a azia é um sintoma de queimação no tórax, sintoma este sentido algumas vezes do surgimento da gastrite. Por isto confunde-se muito as duas coisas. E quem tem azia não tem ou não terá, necessariamente, gastrite.

O surgimento da gastrite pode ser alérgico e até emocional (no âmbito psicológico). Uma reportagem esclarecedora do Programa Bem Estar, no G1.com, fala mais a respeito. Vale a pena conferir também.

Prováveis diagnósticos da gastrite

Antes de falarmos dos tratamentos da doença, é importante sinalizarmos a respeito dos diagnósticos possíveis da mesma. Isto porque, dependendo do tipo de gastrite, sua detecção só é possível através de um exame mais detalhado.

O diagnóstico da chamada gastrite aguda baseia-se principalmente pelo exame físico do paciente que tenha demonstrado todos ou alguns dos sintomas da doença, além de uma análise histórica, ou seja, os sintomas se repetem.

Em casos mais graves onde hajam, por exemplo, suspeitas de hemorragia, a endoscopia digestiva é recomendada, mas mesmo esta, em cerca de 40% dos casos, nada mostra quando a gastrite é a crônica.

Neste caso, será necessário um diagnóstico mais histológico, ou seja, através de um exame mais minucioso, utilizando-se de um microscópio e analisando-se fragmentos da mucosa do aparelho digestivo.

Seja como for, ao surgimento de um ou mais dos sintomas, procure um médico o mais rapidamente possível. Existem situações onde há a presença de hemorragias internas leves, porém frequentes, e estas não são notadas, em um primeiro momento, pelo paciente.

A gastrite não é difícil de ser tratada, mas exige cuidados.

Os tratamentos mais recomendados

Existem alguns tratamentos que são bem direcionados à cada tipo de quadro da doença. Este ou aquele tratamento só pode ser recomendado por um médico, após as análises ou até exames prévios, que identificarão a gastrite e o seu grau e intensidade.

Os efervescentes ou bicarbonatos não são recomendados. Em geral, estes medicamentos causam alívio aos principais sintomas, principalmente por sua ação analgésica, mas não tratam o problema.

Em alguns casos, inclusive, os ácidos efervescentes podem até piorar a sua gastrite. Nos casos de gastrite por excesso de alimentação (gastrite aguda), por exemplo, o gás carbônico presente nos comprimidos efervescentes vai dilatar ainda mais o estômago, piorando a doença.

Rafael Possik, médico-cirurgião especializado no aparelho digestivo e que faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, fala mais sobre o uso dos efervescentes e da gastrite de um modo geral, no Portal Drauzio Varella.

Os tratamentos mais comuns estão relacionados à causa ou às causas do problema. Nos casos de gastrite aguda, em geral, o uso de medicamentos está associado mais ao tratamento e alívio dos sintomas.

Isto porque, neste tipo de gastrite, as causas podem ser recorrentes, como o uso prolongado de algum medicamento, alimentação inadequada, etc., onde apenas a suspensão do problema causador acarretará na extinção da gastrite.

No caso da gastrite crônica, análises laboratoriais podem indicar o agente principal que favoreceu a presença da bactéria H. pylori, mas, em geral, o tratamento é através de antibióticos.

Casos mais graves precisarão de uma análise clínica específica.

Prevenir é sempre o melhor remédio

O ditado é válido, principalmente se você considerar que a gastrite aguda, por exemplo, manifesta-se por motivos alimentares, psicológicos, consumo excessivo de álcool, entre tantas outras causas.

É claro que os problemas gástricos, originados em sua maioria por conta de estresse, traumas emocionais graves, nervosismo extremo, etc., você não consegue ter o controle.

No entanto, a maioria destas manifestações gástricas, originadas de problemas psicológicos, não são gastrite. A gastrite, como já dito, é causada por um excesso de ácido clorídrico no estômago.

gastrite nervosa

Assim sendo, a prevenção tem que tomar por base os motivos que podem causar este excesso do ácido clorídrico. E os principais motivos (não todos) estão ligados a hábitos alimentares, geralmente inadequados.

Alguns medicamentos mais fortes, por exemplo, podem ser substituídos por outros (se possível) que não venham agredir o seu sistema gástrico. Basta dizer ao seu médico que costuma ter estes problemas gástricos.

Quanto à alimentação, você pode mudar para alimentos mais saudáveis, mais leves, menos ácidos, evitar o abuso de bebidas alcoólicas e do cigarro, evitar também a automedicação (remédios simples, como uma aspirina, podem causar gastrite), etc.

Exagerar na comida também é um dos motivos mais frequentes para problemas gastrointestinais, problemas estes que geralmente acarretam em um quadro agudo da gastrite. Outra dica é respeitar sempre os horários de sua alimentação.

Mitos e verdades sobre a gastrite

Existem muitos mitos e verdades em torno da gastrite, de suas causas, sintomas e tratamentos. Então, vamos tentar esclarecer alguns destes . Confere aí:

Existe ou não a Gastrite Nervosa?

Considerando o quadro geral da doença, a gastrite nervosa não existe. O que acontece é que estresse intenso, nervosismo, traumas emocionais mais graves, etc., causam problemas gastrointestinais que estão ligados à gastrite.

Deste modo, considera-se “gastrite”, mas não é, pois, nestes problemas gástricos inexiste qualquer inflamação do estômago, que é um sintoma específico da gastrite.

A gastrite nervosa, na verdade, é chamada de “dispepsia funcional” e é também uma doença, muito parecida com a gastrite principalmente quando consideramos os sintomas. No entanto, segundo médicos e especialistas, é errado chamá-la de gastrite.

A gastrite pode evoluir para um quadro cancerígeno?

Infelizmente, pode sim, principalmente a gastrite crônica e a crônica atrófica. O motivo é porque as inflamações constantes na mucosa provocam atrofia da mesma e a chamada “metaplasia epitelial”, que é uma lesão que pode evoluir para um quadro cancerígeno.

Daí provém a importância de procurar um médico assim que os primeiros sintomas surgirem. Evite qualquer tipo de autodiagnostico e, pior ainda, automedicação, não só nos casos de gastrite, mas de qualquer tipo de doença.

E a gastrite nervosa ou dispepsia funcional pode evoluir para um câncer?

Não, a dispepsia funcional (ou gastrite nervosa) não evolui para um quadro cancerígeno, exatamente porque não há inflamação na mucosa do estômago.

Feijoada provoca gastrite?

Sim e não. Cientificamente falando, não existe um alimento ou um grupo de alimentos que podem causar gastrite. Na verdade, é uma soma de fatores, dependentes ou independentes dos costumes alimentares do paciente, que provocarão a incidência da gastrite.

Desta forma, podemos dizer que a feijoada, por si só, não pode causar gastrite.

No entanto, o abuso do álcool (caipirinha), o excesso alimentar (cada prato de feijoada possui aproximadamente 600Kcal e muitas pessoas repetem o prato 3 vezes ou mais), cerveja acompanhando a feijoada, sobremesas, etc., intensificam negativamente este delicioso prato tipicamente brasileiro.

E o que isto quer dizer, afinal? Quer dizer que você pode comer sua feijoada normalmente, porque ela não causa gastrite. Só evite o exagero na quantidade e na frequência e tome cuidado com os acompanhamentos.

O Café causa gastrite?

Como já dito acima, inclusive, o café não causa gastrite. No entanto, quem tem a doença, pode ter seus sintomas intensificados se consumir a bebida pois o café é um irritante natural do estômago e aumenta a secreção ácida.

A azia evolui para gastrite e depois úlcera?

Não. Na verdade, a azia é um sintoma, que aparece ocasionalmente em pessoas que tem gastrite e até, em alguns casos, em pessoas que tem úlcera. No caso da úlcera, ela pode surgir sim a partir de uma gastrite mal cuidada e/ou tardiamente diagnosticada.

Vivo estressado e tenho dores no estômago Intermitentes. É gastrite?

Somente uma análise mais aprofundada do problema poderá determinar se um estresse ou um quadro emocional abalado gerou uma gastrite ou não. Conforme já citamos, a dispepsia funcional não é gastrite, mas tem sintomas parecidos.

O melhor a fazer é consultar um médico. Se este incomodo não for gastrite, seu médico poderá lhe receitar medicamentos que evitem o estresse ou mesmo lhe aconselhar a respeito. Se for gastrite, lhe indicará o tratamento mais adequado.

No vídeo abaixo, Drauzio Varella fala da gastrite e da gastrite nervosa. Vale a pena assistir:

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Davi Ribeiro

Davi Ribeiro começou a trilhar um longo caminho de autoconhecimento, buscando informações no Brasil e também no exterior, para entender melhor o seu problema. Com o passar do tempo, ele acabou adquirindo muito conhecimento e, assim, se tornou um especialista na área de sexualidade masculina.

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